... Quem me conhece sabe que minha melhor maneira de me expressar é através da escrita, pois ela me permite descortinar a alma e abrir o coração sem medo, tão pouco timidez, tendo plena convicção que as palavras transcritas são minhas emoções em estado bruto, sem lapidez, seja por palavras ditas ou reações contidas. Aqui neste meu mundo, posso falar de mim sem receio de ser mal interpretada ou interrompida; aqui posso ser eu mesma – sem máscaras que me façam perpassar por temas que me desconsertam – pois exalam o que há de mais íntimo em mim, e que é como um pergaminho que ao ser descoberto acaba-se o encanto. Pode-se dizer que é imaturidade, mas penso que não, talvez o nome apropriado seja insegurança, ou melhor, “dúvida”. Dúvida de mostrar o quê sinto para pessoas que não estão na minha “vibe”, ou até mesmo externar o meu melhor para pessoas que não estão prontas para recebê-lo. E assim vou vivendo, por vezes distantes, outras insensível, e até mesmo “fria” – sem sentimentos - São máscaras, máscaras que me protegem não do outro, mas de mim. Talvez seja isso uma fuga? Ou o quê?
A única coisa que tenho certeza é que a vida passa rápido demais para se perder muito tempo. PESSOAS VÃO, OUTRAS VÊM E NÓS DEVEMOS NOS PERMITIR VIVER O QUÊ NOS FAZ FELIZ. Mas como fazer isso sozinha? Já me questionei diversas vezes e percebi que se pode ser feliz sozinha até o momento que tudo o quê você busca você conquista e quando tudo já foi possível, percebe-se que “tudo” é pouco... e o quê falta pra você ser completo ou até mesmo ter tudo – é o outro; um outro Ser Humano que atenda o telefone com uma voz doce e tenha palavras para acalantar seu coração; que possa ser refúgio e se refugie quando se sentir fragilizado ou quando sentir saudades; aquele que faça você se divertir numa festa glamurosa ou no aconchego do lar; talvez não seja um super herói, mas que tire você de apuros e seja seu porto seguro onde nada e nem ninguém poderá te fazer mal. Pois é, por trás dessa mulher segura, voluntariosa e bem resolvida, esconde-se uma mulher com medos, insegurança e que acredita que determinados tipos de relações e sentimentos têm que ser pra sempre. A cada dia percebo que para conseguir ser feliz com essas duas mulheres que co-habitam em mim, devo deixar viver e se mostrar essa menina que é mulher, mas que tem tudo o quê não consigo mostrar para as pessoas. Essa menina só se mostra quando escrevo, porque o quê escrevo pode não ser “eu” ou meus sentimentos, mas apenas palavras que surgem na minha mente e passo para o papel; mas não é só isso. Cada linha escrita por mim é impregnada das minhas emoções, podem não ser situações vividas, mas a percepção de tudo que me faz ruminar para alcançar o entendimento do meu “Eu”; é um mergulho constante no desconhecido que habita em mim. Faço imersão nos meus sentimentos, experimento as sensações, mas tudo que percebo é um turbilhão de emoções que me fazem questionar a minha honestidade comigo, o compromisso com o quê sinto e com aquilo que me faz bem e pode me tornar melhor.
Ao escrever sobre quem eu sou, aprendo mais sobre mim e desvendo aos olhos alheios, com rompantes de extrema sinceridade, aquilo que se esconde através da minha feição rude, minha voz forte e um olhar que grita o quê a boca teima em desrespeitar. Que conflito! ... Ou melhor, Que Medo!
Muita coisa mudou ao longo dos anos, pois pude me perceber melhor a partir das atitudes das outras pessoas para comigo e com as críticas que recebi sobre minha atitude frente aos meus sentimentos. Hoje, já me percebo diferente, menos relutante em falar o quê vem da alma, seja pra agregar ou para mudar situações, opto por não mais omitir o quê penso e transpareço minha segurança e certeza sem medo dos julgamentos alheios. Nunca deixo de considerar os sentimentos dos outros, mas me permito, agora, falar o quê penso sem dúvidas sobre como posso ser vista ou interpretada.
Por muito tempo desabafei com meu travesseiro e nas dezenas de folhas de papel que já escrevi. Fui psicóloga e analista de mim, e com a contribuição dos percalços da vida e das pessoas amigas que me vêm como sou na totalidade, aos poucos venho me preparando para me dar alta e libertar um Ser Humano mais seguro, coerente e pronto para ser o quê “Eu” preciso ser.
Tenho sido um esboço de mim, surpreendo me a cada dia com minha postura e posicionamento. Mas ser este “EU” completo faz-me muito bem.
Limpo meu coração quando falo, sinto-me melhor, pois não guardo meus sentimentos por mais pesados que pareçam para serem externados. Busco falar sem agredir, tão pouco ofender e tenho criado mais elos que rompido. Gosto muito mais do que vejo quando olho pra dentro de mim. Estou rompendo com as minhas incertezas e mostrando dia a dia a riqueza de Mulher-menina que há em mim.
Rio de Janeiro, 17 de abril de 2009. 00:32 a.m . GTB